A privatização da Eletrobrás, crime de lesa pátria.


O Brasil está numa encruzilhada que conduz à destruição completa como Nação soberana e como Civilização, presa fácil dos interesses da oligarquia financeira, indiferente frente à dimensão da tragédia social em que já vivemos, dela se nutre e engorda. A classe média, em grande parte cega, surda e muda, ora oscila e sucumbe, sem combater, ora se levanta, às vezes para defender conquistas, às vezes para reforçar as posições dos próprios algozes. Quem pensava que a nazificação fosse um fenômeno só Ucraniano e já podemos afirmar, dominante em toda a Europa, acreditava que este não chegaria aqui. O nazismo é a propagação da Covid-19 por outros meios. Essa não é expressão retórica: só o nazismo explica o assassinato de 700 mil pessoas neste país “pacífico”.

Isso não quer dizer que boa parte da classe média e principalmente dos trabalhadores da cidade e do campo e as camadas populares nos centros urbanos sejam fascistas, mas não têm ferramentas, nem meios, nem organização para enfrentarem adequadamente o jugo das oligarquias agrária, industrial e financeira. Só lhes resta a esperança de um processo eleitoral, que vai ser longe de fácil e limpo. Há militantes, vanguardas, dirigentes, milhares de líderes populares incógnitos, que não renunciaram e não renunciarão à luta, mas estão em grande parte isolados, sitiados, ou sob constante repressão e morte. Não dispõem sequer do ferramental teórico necessário para entender o que será preciso fazer na próxima etapa.

Nessas circunstâncias, uma vitória eleitoral é possível, mas não está garantida. E se ocorrer, poderá não representar a reviravolta na correlação de forças que simbolicamente uma nova presidência de Lula representaria: as forças conservadoras estão encasteladas em todos os gânglios do Estado e do poder, e têm à disposição um arsenal enorme para garantir deputados, senadores, governadores, nas eleições, inviabilizando uma maioria qualificada das forças progressistas para a aprovação das leis ou decretos do Executivo de um governo popular, como tem ocorrido na Argentina ou outros países da Am. Latina. A vitória de Lula seria apenas uma primeira grande vitória após a enorme sucessão de derrotas e a derrubada do governo Dilma. E qualquer que seja a contagem final dos votos e dos representantes eleitos, será apenas o início de uma batalha complexa, desigual, titânica, contra o poder real que domina o País.

Apenas empossado o governo, será urgente, e algumas vezes por decreto, a reconstrução das conquistas históricas do País, como as estatizações, os direitos sociais, a soberania. O ataque da direita vai ser duplo para impedir isso, e por outro lado, para cooptar, condicionar, sufocar as iniciativas do novo governo, seja pela via do lawfare, ainda latente, seja pela oposição parlamentar ferrenha. As aventuras militares não estão descartadas, já que esse setor demonstrou sua cumplicidade com o regime de destruição da Nação. Não são mais dignos de serem chamados de defensores da Pátria: foram longe de mais na entrega da soberania.

O PT e a esquerda no seu conjunto devem rever rapidamente suas falhas. E sua única fortaleza serão os eleitores, os cidadãos, a grande massa da população que vai nela depositar sua confiança outra vez. Se a esquerda não criar fortes canais de comunicação e mobilização de um povo tão sofrido, tão humilhado, tão aviltado, e acreditar na boa-vontade das elites para um novo período de prosperidade “ganha-ganha”, estará cometendo um erro fatal.

As elites se beneficiam, em parte, quando o povo recupera poder de compra. Principalmente setores do comércio e da indústria. E desta forma podem conceder certos acordos salariais através dos sindicatos, pois sem poder aquisitivo não há consumo. Aliás, num governo popular os sindicatos devem marcar maior presença, mobilizar-se, mantendo sua independência de classe (o que não fez durante os governos do PT, o que teria estimulado organismos populares que no momento do golpe contra a Dilma teriam reagido). Pois os Bancos e o agronegócio, estes, pouco se importam se o povo morre de fome. Não lhes interessa a Nação, o ambiente, a sociedade, seus negócios são com o exterior. Os Bancos vivem de usura, portanto, de espremer mais ainda os miseráveis. Já demonstraram para que existem: sugar as riquezas da Nação.

Nesse quadro, poderão ser revertidas as privatizações da Eletrobrás e as da Petrobrás, feitas até agora? A questão pode ser formulada de outra forma: há outra saída? Ou seja, o abismo social criado nestes 7 anos de ditadura pode ser revertido SEM QUE O ESTADO ASSUMA O PAPEL PREPONDERANTE NA ECONOMIA? Ainda é possível imaginar que os “investidores estrangeiros” ou as elites financeiras nacionais irão colocar um quinhão numa reconstrução com a qual não concordam, e por cuja destruição foram justamente as responsáveis? Não é pensável, pelo menos por vias “democráticas”.

Quais são no mundo atual as únicas nações que têm conseguido fazer frente aos ataques do império contra a própria soberania? As que têm Estados fortes, indústria, programas sociais avançados, tecnologia, e fundamentalmente, exércitos poderosos. Falamos de Rússia e China. Falamos, em menor proporção, de Cuba, Venezuela, Irã e Vietnã. E  em menor ainda, Índia e África do Sul, estes últimos com gravíssimos problemas sociais não resolvidos, com diferentes nuances e características. No caso da Índia e do Paquistão, o componente arma nuclear é decisivo.   

A Rússia, boicotada em prazos curtíssimos por todas as grandes corporações internacionais, submetida à guerra econômica mais brutal da História em pouco tempo, tem uma estrutura industrial, tecnológica e militar, e um Estado forte que permite reagir, substituir importações, reorganizar-se e fazer frente ao imperialismo. Também conta com os recursos naturais para isso, em abundância. Por anos a URSS não dependeu do “ocidente”. Sofreu a recolonização e a debacle. Depois renasceu das cinzas. Essa lição foi aprendida e está sendo novamente posta em prática. O assédio, as “revoluções coloridas”, têm fracassado na Rússia e entorno. Com a intervenção na Ucrânia, marca-se o início do fim do assédio. Não mais, a Rússia passa para a ofensiva.

E não o faz só: faz com o aval da China, pronta já para qualquer ocorrência mais grave. Novamente aqui, uma poderosa Nação, com um Estado que tem o capitalismo no cabresto, pronto para punir desvios de finalidade e conduta: todos submetidos ao objetivo de melhorar o bem-estar da população. Todos os meios de produção mais importantes e decisivos estão nas mãos do Estado, inclusive o sistema financeiro, ou de capitalistas bem-controlados e monitorados. Não podem agir contra a Nação, não podem retirar o capital e desertar. Não existe essa possibilidade. E essa Nação poderosa está sustentando a Rússia, em simbiose, em mútuo interesse, e são países gigantescos em condições de derrotar o assédio, uma muralha indevassável. Está alicerçando o BRICS, instrumento financeiro fundamental, junto à Rota da Seda para liberar os povos da América Latina, Ásia e África. E dispostas a enfrentar até mesmo o perigo da guerra nuclear.

E o Brasil atual? Nas mãos de piratas e aventureiros. O novo governo de esquerda, se se constituir, não vai ter ferramentas para reagir rapidamente, e atender às necessidades populares, se não tomar medias radicais e profundas em pouco tempo. Cortar a hemorragia, de capitais, dos recursos de empresas estatais saqueadas e esvaziadas, recolher o maior número possível de empresas e recursos para aplicar em investimentos sociais, obras de infraestrutura, desenvolvimento econômico acelerado. Já de cara tem que acabar com a ditadura do Banco Central, retomar de maneira férrea o controle da Eletrobrás e da Petrobrás, liquidar a política de preços suicida e criminosa das ditaduras de Temer e Bolsonaro. Dar sinais fortes, fechar acordos com o Brics, com o resto da América Latina, sem vacilar, Celac, Unasur, Mercosul, a todo vapor. Acordos favoráveis, em moedas locais, utilizar os recursos das reservas antes que o dólar vire pó, investir em todo tipo de atividade produtiva. Muitos contratos lesivos aos interesses do País terão que ser desfeitos, sem dó nem piedade. O Lula já avisou que estão comprando coisas roubadas como receptadores e vão arcar com as consequências. Frente às pressões e boicotes internacionais que possam surgir, há que tomar o exemplo do Irã que resistiu, estruturando seu patrimônio e tecnologia energética nacional, unindo-se à China e agora, fortemente, com a Venezuela.

Haverá uma insubordinação do Capital contra isso? Inevitável. Os EUA não vão ficar de mãos abanando, para isso eles remobilizaram a IV Frota, e hoje têm interesses petrolíferos no pré-sal, criminosamente entregue aos estrangeiros. Vão querer impedir um Brasil soberano, com o apoio dos fascistas, nazistas e quintas-colunas do grande capital brasileiro. A base social bolsonarista, nazista, reacionária, vai ser toda mobilizada, e já mostrou a que veio, que não respeita Leis, constituição nem nada. É o seu chefe maior que o demonstra. E se armam todos os dias.

O novo Brasil com Lula, deve aprender da experiência do Chile de Allende. J. Posadas insistiu, nos textos sobre o golpe de Pinochet no Chile, sobre o tema da passagem “do governo ao poder”. Sem o poder real, baseado em meios de produção, sem ferramentas de programação e atuação na economia, os governos não controlam nada. Mais que nunca o “poder de fato” é aquele que determina tudo, seja qual for o governo de turno. Isso é válido para todo o mundo, EUA e Europa compreendidos. O poder político é uma ficção. O bolsonarismo agravou isso, detonando a credibilidade das instituições, violando a lei impunemente, desafiando o STF, e escapando de todos os processos judiciais contra ele. Nunca como antes contam as relações brutas de poder, de quem manda, e de nada valem a Constituição, as leis, o Estado.

Lula com o PT, devem defender dentro da coligação eleitoral um programa radical de nação para tirar o país do atraso com Estado forte e mobilização popular. Não há que esperar do poder de fato. É decisivo depender do povo organizado nesta etapa, mais que nos anos 70 do Chile. Não bastarão Conferências Nacionais nem comitês populares de controle tardios. DESDE O PRIMEIRO DIA O NOVO GOVERNO TERÁ QUE OCUPAR AS PRAÇAS, OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, AS RUAS, E CHAMAR O POVO A GOVERNAR COM ELE. Isto significa incorporar os sindicatos no debate governamental, e impulsionar o MST, o movimento dos sem tetos a constituírem organismos de poder popular. Não poderá ser o governo “de todos os brasileiros” paz e amor! Basta olhar, novamente, a Argentina aí ao lado: as elites têm sede de sangue e não se conformam em ter perdido novamente o governo para o Peronismo. Por isso sabotam a economia, as finanças, como se não bastasse terem endividado o país com o FMI a níveis abismais.

O primeiro sinal forte deverá ser: GOVERNO POPULAR MOBILIZADO. O Segundo sinal forte: DECRETAR A REESTATIZAÇÃO DA ELETROBRÁS E DA PETROBRÁS, e todas as subsidiárias. Por decreto, mobilizando petroleiros, e os trabalhadores por todo o país. Uma medida forte, simbólica, anunciando como será o novo governo. AUMENTO IMEDIATO DO SALÁRIO MÍNIMO, sem protelações e gradualismos! Derrogação das leis antitrabalhistas mais escandalosas. Recriação dos ministérios sociais, e dos estratégicos, como planejamento, e outros. São medidas urgentes para por um fim a mais de 40 milhões de famintos no Brasil, sem as quais não haverá povo mobilizado.

Reconciliar a Nação, com os trabalhadores, não com as elites que promoveram a sua destruição. Os trabalhadores, ficaram órfãos, foram traídos. Não há como tentar convencer os racistas e escravocratas, que já tem a convicção de que os trabalhadores devem ser explorados sem limites. Eles tiveram o direito da palavra, monopolizaram os grandes meios de comunicação, invadiram as redes sociais. É preciso a mão do Estado para promover definitivamente a inclusão social e É preciso a mão do Estado para promover definitivamente a inclusão social e prevenir-se diante de instigações a uma guerra civil..

De toda forma, os ventos da América Latina são fortemente favoráveis agora com a vitória de Gustavo Petro à presidência, e a sua vice-presidenta França Marques, em nome dos “ninguéns”, dos excluídos, uma virada histórica para Colômbia. Grande reforço à união da maioria dos países da CELAC que recentemente se manifestaram contra a exclusão de Cuba, Venezuela e Nicarágua na reunião da Cúpula das Américas. A vitória de Lula se somará a essa relação de forças na América Latina, não descartando uma radicalização do PT. O ambiente político não deixa de ser favorável à aplicação de um programa de transformações sociais contundente. Hoje não temos os despossuídos mobilizados, pois o PT se afastou das bases, mas resistem setores do PT na periferia, fazendo “assistencialismo” de sobrevivência – cestas básicas, creches, hortas, posto de saúde, Central Única das Favelas CUFA, o MST, a Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, os sindicatos querendo reagir, mas sem fôlego para ir mais longe no enfrentamento.

Rumo à campanha enérgica com mobilização corpo a corpo! Ganhar tempo e vencer no primeiro turno tem a sua importância: há emergência nas necessidades do povo. Desarmar as alianças da direita rumo à enganosa terceira via que coloque em risco a vitória de Lula. O crime de lesa pátria de Bolsonaro, nas declarações contra Lula frente a Biden, com indisfarçável torpeza dos aliados do grande capital, complica o império que pode optar por figuras “apresentáveis” do centro-direita, como a Simone Tebet. Benvindos os eventos artísticos, universitários, até iniciativas grupais nos shoppings, trens, metrôs e ônibus repercutindo o grito de Lula lá. Viva voz às rádios, TVs comunitárias, nos municípios, em todos os espaços públicos levando o tema da soberania e da necessidade do Estado com inclusão social. Rumo ao voto consciente, à politização e mobilização popular respaldo essencial ao governo Lula!

Comitê Editorial
PosadistasHoje

19/06/2022

(Crédito Foto: PT.org.br)