Lula presidente e o projeto de transformações sociais


Lula presidente e a organização popular para respaldar o projeto de transformações sociais

O cenário eleitoral no Brasil empurra para uma estabilização e definição à medida que os dois principais candidatos que lideram as pesquisas mostram o que e como pretendem conduzir o Brasil a partir de 2023. Neste sentido Lula tem as maiores chances de ganhar é o que apontam as pesquisas recentes dos principais institutos, com Lula liderando com 47% contra 41% dos demais candidatos e 53% dos votos válidos que o elegeria já no primeiro turno. Um crescimento irreversível, neste momento de acelerada crise do governo Bolsonaro, cujo pico se iniciou com a tragédia da pandemia, e agora cada vez mais enrolado com as denúncias de corrupção que levou à prisão de altos funcionários do governo comprometidos no desvio de verbas do Ministério da Educação.

Estes percentuais têm uma boa consistência, pois 80% desta intenção dos votos estão consolidados. Isto se dá num cenário inédito em que um presidente em exercício e um ex-presidente disputam uma eleição permitindo uma avaliação real do desempenho de cada candidato.  Aproximando o pleito eleitoral, parte dos votos, diante da inviabilidade da candidatura de Ciro Gomes, irão para o Lula, aumentando ainda mais as possibilidades dele se eleger já no primeiro turno. 

Soma-se a estes fatos, a alta nos preços dos combustíveis causada pelo desmonte da Petrobrás com as vendas recorde de ativos e ações, a privatização da Eletrobrás, as ameaças das privatizações dos Correios e dos Bancos públicos, e pela política econômica perversa que afundou o país no caos.

Não é necessário ser cientista político para entender importante candidatura Lula que cresce, mesmo com a enxurrada de ataques da extrema direita, das insistentes tentativas dos setores conservadores em menosprezar sua liderança e apostar todas as fichas na terceira via. Ensaio este que parece sair pela culatra, com a queda de Simone Tebet de 2% para 1% das intenções de voto e Ciro que se mantem nos 8% com um discurso que prioriza as agressões a Lula e ao PT, ganhando a antipatia do eleitorado e a repulsa de parte dos parlamentares de seu próprio partido o PDT. É Lula, líder operário, que faz projetar sua política através das ideias. O seu programa é acessível às massas, dialogado com o povo, em todos os cantos do país, seja nas rádios, seja nos eventos de expressivo público. 

A estrela de Lula brilha mais do que nunca. Bolsonaro só ultrapassa Lula na região centro oeste onde se concentram as atividades do agronegócio, sócio do governo na destruição da Amazônia, do meio ambiente e na violência contra a população indígena, quilombolas e ribeirinhas, que sofrem também com a indiscriminada exploração do garimpo, da pesca ilegal, do narcotráfico e de jagunços armados, focos geradores de violência como foram os trágicos assassinatos do indigenista Bruno Pereira, do jornalista Dom Philips e outras importantes lideranças da região.

Lula é o bombeiro escolhido pela maioria da população para apagar esse incêndio causado pela república das milícias e dos milicos e comandado por um criminoso que retrocedeu o país ao atraso civilizacional. Lula o “guerreiro do povo brasileiro”, é o que governou para o povo; e seus dois mandatos como presidente estão na memória popular; sua autoridade, sua capacidade de grande articulador para além das fronteiras do Brasil, sua vontade política, sua liderança junto às massas pobres, formam a ponte para fortalecer um projeto de desenvolvimento do país e libertar a sociedade do atoleiro em que foi lançada pelos abutres, como se fosse lixo humano.

As Diretrizes para o Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil, elaborado por todos os Partidos que compõem a Frente Vamos Juntos pelo Brasil, mais a contribuição das forças democráticas e progressistas, com ampla divulgação na coletiva com Lula, são o pontapé inicial que dará o tom da campanha eleitoral. As Diretrizes devem ser o ponto de partida para um amplo debate com a sociedade sobre os principais problemas nacionais em todas as áreas, de gênero, da educação, do meio ambiente, da reforma agrária, da industrialização, do emprego, da segurança alimentar, da economia, da soberania, etc.., “um compromisso com a defesa da igualdade, da democracia, da soberania e da paz“. Um plano que assume como prioridade e com medidas emergenciais, a retomada das condições de vida da maioria da população brasileira mais afetada com a crise; os que estão na condição de miséria, os que sofrem com a elevação dos preços, que perderam seus empregos e suas moradias.

A burguesia conservadora já afia as garras contra as Diretrizes para o Programa liderada pela TV Globo golpista que em editorial patético rechaça o programa Lula/Alkmin com o abusado comentário “não tem cabimento”! Claro, um programa assim, que estimula o debate com a sociedade para que agregue, avalie e aprove seu conteúdo, não cabe num projeto burguês neoliberal de mentalidade predatória sem limites e colonial.

Entretanto um outro setor empresarial, vinculado ao mercado interno vê Lula como a única saída, mas que, também quer a garantia de que um governo popular não irá retroceder em seus ganhos econômicos. São os mesmos que junto com juristas e advogados participaram de um jantar organizado pelo PT onde Lula lembrou “que seu convívio com o chamado PIB brasileiro não será diferente do período vivido entre 2003 e 2011”. Ainda assim Lula foi bastante aplaudido.

Tudo leva a crer que neste cenário político Lula será vitorioso já em primeiro turno, a menos que um tal golpe ensaiado e divulgado pelos quatros cantos por Bolsonaro prospere; parte da esquerda, de olho, não descarta essa possibilidade pelo robusto investimento com o dinheiro público nas Forças Armadas, nas milícias, no crime organizado e numa parte dos seus aliados políticos usando para isso a máquina do Estado e com o reforço de seus aliados externos. Ao mesmo tempo, é previsível um revés pela ausência de força popular já que parte de seus apoiadores, como os caminhoneiros e funcionários dos correios estão exaustos e desencantados com a condução da política do governo.

Os ventos que sopram do mundo para a América Latina, com as intensas mudanças na geopolítica Euro-asiática, são movimentos que afloram nesta conjuntura e mostram um evidente cenário apontando para a formação de um novo mundo multipolar com o fim do predomínio europeu e EUA e que tem como atores principais, russos e chineses. Destaca-se a reunião dos BRICs na China e o papel fundamental que este poderá cumprir para o Brasil e a América Latina, sobretudo com Lula presidente.

A América Latina absorvendo essas mudanças produz também avanços importantes na sua política de independência e de soberania. A histórica vitória de Gustavo Petro na Colômbia, país dominado pelo conflito entre o narcotráfico e paramilitares contra a população, que tem a OTAN com mísseis apontados para a Venezuela e Cuba, os enormes fracassos da política neoliberal que permitiu o retorno dos governos progressistas da Nicarágua, Honduras, Bolívia, Chile, Argentina; no Equador cujo governo de direita neoliberal de Guilherme Lasso, defronta com a maior crise desde a saída de Rafael Corrêa, com 24 províncias em estado de sítio, região onde concentra a população indígena, além da greve geral que já dura mais de 14 dias, protestos com prisões e mortes, confirmam que um projeto de desenvolvimento de caráter burguês colonialista, neoliberal já não consegue ter sustentação pelo repúdio da sociedade.

A sabedoria de Lula, sua capacidade como ex-estadista de interlocução com o mundo e o enorme apoio popular contribuiu para a transformação e desenvolvimento da América Latina. Foi ele, junto com Chaves, Evo Morales, Néstor e Cristina Kirchner e Rafael Corrêa, que introduziu na região o maior projeto de integração, crescimento econômico e social da região. Resgatar essa política com mais intensidade está nos planos de um novo governo Lula e aparece claro nas Diretrizes de Programa de Governo essa perspectiva de fortalecimento de mecanismos de desenvolvimento dos países latino-americanos e caribenhos  por meio das instituições do Mercosul, da Unasul, Celac e dos Brics. Esse é um desafio que está posto para um novo mandato de Lula e da Frente Vamos Juntos pelo Brasil, um desafio arrojado que só se sustentará, com um extenso apoio da sociedade organizada, integrativa e participativa.

Neste contexto é fundamental estimular, politizar e dar vida aos canais que darão o suporte desse importante projeto e que o tornem viável, a partir dos comitês eleitorais para garantir a eleição em primeiro turno, mas que deverá ser muito ampliado a partir da vitória, com todo tipo de associações e organizações populares, de bairros, de moradia, de estudantes, sindicatos, MST e todos os que defendem o retorno da democracia da soberania e do desenvolvimento do país. Sem as forças vivas dos movimentos populares, mobilizadas e ativadas em todas as esferas para apoiar, mas também controlar e impulsionar o governo popular, para que avance sem medo, não haverá estabilidade, não se conquistará a reversão do panorama de “terra arrasada” que deixa Bolsonaro para o país. A extrema direita não vai se resignar à derrota, não o fez na Bolívia, no Peru, na Argentina, no Chile, e não o fará na Colômbia: continuam os atentados e massacres contra a população pobre, apesar dos governos progressistas reconquistados. Esse é o maior aprendizado das derrotas sofridas, para que não se repitam no futuro: povo na rua, organizado e fortalecido, politizado e informado, que não espere passivamente para reconquistar tudo o que foi perdido.

Comitê Editorial
PosadistasHoje

29/06/2022

Foto: Lula.com.br