A intervenção da Rússia na Ucrânia marca o início do fim do domínio imperial dos EUA no mundo


O Porquê da Intervenção da Rússia na Ucrânia e seus desdobramentos na política internacional

Antes da intervenção militar da Rússia na Ucrânia, Putin, uma direção política internacional em ascensão, firmou relevantes acordos de cooperação com a China, esteve para concluir um acordo comercial gigantesco com a Alemanha  o gasoduto Nord Stream 2, consolidou democraticamente a autonomia da Criméia; e já havia demonstrado a sua superioridade militar ao mundo, o que atiçou a ira  das corporações midiáticas, controladas e financiadas pelos EUA e OTAN lançando-as na mais escandalosa campanha de mentiras e de falsas narrativas para atacar a Rússia.

Então por que a Rússia tomou a decisão de intervir militarmente na Ucrânia?

É bom refrescar a memória, para quem em determinados momentos sofre de amnésia, de que o 11 de setembro de 2001, com a destruição das torres gêmeas em Wall Street, foi uma ação terrorista perpetrada pelo próprio governo dos EUA – com estudos e documentários comprovando esta ação criminosa. Para quê? Para na sequência realizar sua ação terrorista no mundo e no Oriente Médio.

Lembrando que a destruição do Iraque foi realizada sob o argumento da existência de armas químicas, fato desmentido posteriormente, pelos próprios meios de comunicação no próprio EUA. Da mesma forma, com pretextos fabricados por uma suposta rebelião popular, orquestrada pelos EUA, Khadafi foi eliminado, como Saddam Hussein, ambos acusados de ditadores. Com a cumplicidade e traição aos acordos com a Líbia dos governos da Itália e da França. Os EUA provocaram a destruição da Síria, mas neste caso, com apoio da Rússia, o governo sírio nacionalista e antimperialista foi capaz de resistir e manter sua soberania nacional, embora esse país ainda esteja em guerra, com o imperialismo ocupando parte do seu território, e sob os bombardeios constantes de Israel. É bom lembrar também os bloqueios econômicos vigentes contra a Venezuela e o Irã. É bom lembrar também do genocídio cometido na destruição da ex-Iugoslávia. E o genocídio cometido por oito longos anos contra os povos das regiões de Donbass ao proclamarem sua independência.

Querem colocar Israel para intermediar o conflito na Ucrânia. É preciso lembrar o genocídio que Israel comete cotidianamente contra o povo palestino e a destruição do Líbano, as agressões quotidianas à Síria. No passado, fomentou-se a guerra Irã-Iraque. Israel é um ponta de lança do imperialismo anglo-americano no Oriente Médio e de forma alguma se credencia para intermediar uma paz no conflito da Ucrânia, sobretudo porque o presidente Zelenski da Ucrânia, é um sionista radical e aliado de Israel, um pau-mandado dos EUA e do Reino Unido.

É bom observar o mapa e constatar o cerco à Rússia com a adesão das ex-repúblicas soviéticas à Otan e a instalação de bases militares nestes países, com um inegável cerco e preparação de guerra contra a Rússia. Por fim, e não sendo o fim em si, a aprovação no Congresso da Ucrânia da sua adesão à União Europeia e à Otan. Inclui-se no “pacote” a instalação de armas nucleares e agora, como descoberto pelos russos, armas biológicas, na porta de casa da Rússia. Está dentro da previsão que o imperialismo capitalista, via EUA e Otan, já esteja optando pelo “inimigo invisível da humanidade” ao invés da ação evidente do ataque nuclear como sempre o fez, e desta forma, jogar a responsabilidade sobre a Rússia e a China.

A denúncia foi formalizada com documentos e provas, registrado em ata, pelo delegado russo na reunião do Conselho de Segurança da ONU. Veja o que diz Ignacio Ramonet, publicado pelo PSUV, sobre os laboratórios de armas biológicas bacteriológicas na Ucrânia, inclusive aves de destruição massiva, financiados e supervisados pelos EUA: “Isso nos obriga a pensar na possibilidade de que todos os vírus que infectaram humanos neste século, especialmente os últimos, como o Ebola, que afetou a África, o antraz, a gripe suína e aviária, e atualmente o Covid-19, venham todos de laboratórios financiados e geridos pelos Estados Unidos da América, e foi isso que levou a China a apresentar um pedido urgente, sério e rigoroso para realizar uma investigação internacional do súbito aparecimento do coronavírus, é muito provável que os Estados Unidos tenham usado aves migratórias para matar cidadãos da China.”.

Por estes e outros motivos a Rússia interveio militarmente, com legitimidade, na Ucrânia sabendo de todos os desgastes que isto provocaria na sua relação com o mundo Ocidental, pois nos países da Eurásia e do Oriente Médio a opinião é bastante diferente. A cobertura da mídia internacional contra a Rússia é simplesmente criminosa. Ocultam a grande manifestação do povo russo a favor de Putin que sobe nas pesquisas de opinião da Rússia a seu favor, militarizam a informação mundial por meios dos monopólios da informação, obstaculizando a transmissão da RT (Russia Today), dão lugar à histeria antirussa, difundem quantidades colossais de informação falsa, confundindo a opinião pública. E por fim, abandonando a máscara democrática, reprimem os meios de comunicação russos ou favoráveis à Rússia, censuram ou manipulam as redes sociais, YouTube, Facebook, Google, numa orgia de autoritarismo e militarismo otanista.  Isso é parte da guerra híbrida. Sugerimos que a vanguarda no Brasil e no mundo busque as mais objetivas informações investigativas através das publicações de Pepe Escobar.

A direção russa necessariamente terá de aprofundar a intervenção do Estado na economia. Com o bloqueio colossal a economia russa, não há outra saída do que aumentar o controle estatal do setor bancário, aumentar o controle dos fluxos de capitais – limitar a transferência desmedida de capitais para o exterior, aumentar o regime de administração do câmbio a exemplo da economia chinesa. Operar com outro sistema de transações comerciais em substituição ao sistema Swift – onde a Rússia foi excluída, com exceção das contas de pagamento do petróleo e gás. Transacionar com outras moedas, o rublo russo, o yuan chinês, a moeda do Irã, transações que já estão ocorrendo em substituição do dólar.  E como já está fazendo, exigindo o pagamento do gás e petróleo em rublos. Além disso, o rublo se apoiará no padrão-ouro (Rússia é grande produtor de outro), enquanto o dólar é cada vez mais sem lastro. Os compradores (EUA, Comunidade Europeia, Canadá, Japão) de gás russo pagavam em dólar ou euro em uma conta europeia ou exterior. O governo de Putin criou uma conta do Banco Gazprom na Rússia onde a moeda pagadora é convertida em rubro, sem romper nenhum contrato. Contragolpe magistral. É o início do fim da era do dólar. É possível que o “ocidente” o tome como uma declaração de guerra. Com que argumento? Foram eles que iniciaram a sanções!

No memorável discurso de Putin em comemoração aos oito anos da reintegração da península da Crimeia à Federação da Rússia, o presidente Putin defendeu a maior intervenção do Estado na economia para amenizar os efeitos do bloqueio econômico contra Rússia, com liberação de créditos e pagamento antecipado a fornecedores, e forte programa de substituição de importações, com patrocínio estatal em P&D (pesquisa e desenvolvimento) em setores chaves da economia. Há expressões importantes de como a política exterior de enfrentamento ao imperialismo move águas dentro da Rússia: a participação das massas a favor da guerra na defesa do Estado operário que resta da ex-URSS, estimulando a limpeza de burocratas. A aceitação da política de Putin está a 83%. Os chamados oligarcas russos, ao serem prejudicados pelas sanções, atacam a guerra. Assim, optam como Anatoly Chubais, chefe oligarca a escapar da Rússia.

No seu discurso de 16 de março, pela cadeia nacional de Rádio e TV na Rússia, Putin disse: “As sanções contra a Rússia fortalecem-nos em vez de nos prejudicar, pelo contrário, desferiram um duro golpe na economia global como um todo, uma economia que eles aproveitam e manipulam, mas que hoje não podem controlar totalmente, escaparam das mãos , e agora só afetam os próprios europeus e americanos, seus próprios cidadãos, pelo aumento dos preços da gasolina, energia, alimentos, pela perda de seus empregos; cidadãos da Europa, dos Estados Unidos, cidadãos comuns, não é verdade que seus problemas se devem às “ações hostis” da Rússia, não, é devido às ações irracionais e irresponsáveis ​​de seus líderes, que pretendem torná-los pagar com seu próprio dinheiro “a luta contra a mítica ameaça russa”.

“O Ocidente procura semear a discórdia entre os russos apostando na traição, eles novamente querem tentar nos pressionar novamente, nos transformar em um país fraco e dependente, violar nossa integridade territorial, desmembrar a Rússia, eles não conseguiram então e não terão faça agora, o ocidente vai apostar na chamada quinta coluna, nos traidores, naqueles que ganham dinheiro aqui, mas moram lá.”

“A Rússia tem todos os recursos naturais, materiais e humanos que essas nações emergentes precisam, o Ocidente não tem mais nada para dar, nada para oferecer além do roubo, tudo foi desperdiçado ou esgotado, eles só têm ganância e a necessidade de cortar o crescimento dessas nações emergentes, razão pela qual é inevitavelmente o início próspero do novo sistema econômico comercial que está surgindo, um sistema onde o mundo terá a garantia de que sua riqueza não será arbitrariamente saqueada, e onde poderá negociar e trocar de forma florescente, natural e segura, a Rússia sempre fez grandes contribuições ao longo da história na evolução da civilização humana, desta vez também não ia ser diferente, a Rússia sempre fez e sempre fará parte da história. …”. (Putin)

A ação anglo americana e da Otan, com o bloqueio econômico, midiático, político contra a Rússia tornou-se um boomerang; desnudou a crise econômica do capitalismo, enquanto a Eurásia se tornou um polo econômico poderoso, a China tira 850 milhões de chineses da pobreza em três décadas e se torna um dos sistemas econômicos mais fortes do planeta; enquanto isso, a pobreza se estende nos EUA e na Europa, sem falar nos milhares de migrantes da África colonizada e ainda submetida ao atraso, herança de séculos de exploração pelos países ocidentais. A saída de empresas russas, provocadas pelas sanções do imperialismo, abrem oportunidades para as empresas chinesas solidificando a cooperação China-Russia. O conflito na Ucrânia é apenas a ponto do iceberg das ações do imperialismo anglo americano, arrastando países da Europa, numa ação contra a unificação Rússia-China; unificação que provocou uma total mudança na correlação de forças mundial. Ambos os países acabaram de se reunir novamente e declarar unidade por uma “nova ordem mundial, mais justa e democrática”. Veja.

O eixo do desenvolvimento mudou para a Eurásia, desviando a atenção da oligarquia financeira e dos EUA para dar golpes de direita na América Latina. Os governos progressistas, nacionalistas ou de esquerda encontram menos prazos para consolidarem medidas enfrentando o imperialismo anglo-americano. A ascensão destes países, ao patamar de renda per capita próximo dos chamados desenvolvidos, requer um programa econômico e social de anos, prazo incompatível com a ação e golpes por parte dos EUA. Vejam-se as pressões para usar o Congresso conservador contra o Presidente do Peru, José Pedro Castillo, desestabilizar o governo de Alberto Fernandez na Argentina, golpear anteriormente o Evo Morales na Bolivia, e o golpe perpetrado contra a Presidenta Dilma. Ou se tem um programa de enfrentamento e mobilização popular, ou, num curto prazo, os governos tornam-se vítimas das revoluções coloridas, ou sucumbem aos acordos militares como aconteceu com a Colômbia. Exceções: o Governo da Venezuela que tem do seu lado as Forças Armadas e as milícias populares; e Cuba que se mantém em constante alerta e mobilizada sua população para defender a revolução cubana. Gabriel Boric no Chile, Xiomara Castro em Honduras, e futuramente Lula no Brasil, deverão contar com aliados, mas acelerar a disputa de classe com fortes medidas de Estado e mobilização popular.

A esperança é que a Celac, Unasul e o Brics podem se reforçar nos próximos tempos. Os países membros dos Brics tem um importante papel a assumir, diante das ondas de sansões antirussas, na restauração da economia e do desenvolvimento global atuando como um polo de estabilidade e fonte de crescimento. Aumentam as possibilidades de incorporação de outros países da Ásia Meridional ao Brics, com maior circulação do yuan, rubro e rubia. O Brasil sendo membro, com Lula eleito, retomará com mais força esse papel que será fundamental no desenvolvimento dos países mais pobres.

As ações de governos como da Ucrânia são um prelúdio das provocações que já estão chegando às portas da China, com as constantes manobras militares norte-americanas e de seus aliados. O imperialismo arrasta a humanidade para uma guerra global. O Governo chinês já tem isto em conta. Se faz necessário uma Frente Única Mundial Antimperialista para enfrentar a nova etapa de luta de classes. As guerras patrocinadas e executadas pelos EUA no Iraque, na Líbia, no Afeganistão, na Síria somente adiaram por curto período a crise do capitalismo frente ao novo sistema político, econômico e social da China. A crise na Ucrânia é uma demonstração até onde pode chegar a insanidade da elite mundial capitalista, à beira de provocar de uma guerra atômica.

Comitê de Redação

Posadistas Hoje

01.04.2022